LEI Nº 11.180, DE 23 DE SETEMBRO DE 2005.
D.O.U. de 26.9.2005.
Institui o Projeto Escola de Fábrica, autoriza a concessão de bolsas de permanência a estudantes beneficiários do Programa Universidade para Todos – PROUNI, institui o Programa de Educação Tutorial – PET, altera a Lei nº 5.537, de 21 de novembro de 1968, e a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Fica instituído, no âmbito do Ministério da Educação,
como parte integrante da política nacional para a juventude, o Projeto Escola de
Fábrica, com a finalidade de prover formação profissional inicial e continuada a
jovens de baixa renda que atendam aos requisitos previstos no art. 2º desta Lei,
mediante cursos ministrados em espaços educativos específicos, instalados no
âmbito de estabelecimentos produtivos urbanos ou rurais.
Art. 2º Os jovens participantes do Projeto Escola de Fábrica deverão ter idade
entre 16 (dezesseis) e 24 (vinte e quatro) anos, renda familiar mensal per
capita de até um salário mínimo e meio e estar matriculados na educação básica
regular da rede pública ou na modalidade de Educação de Jovens e Adultos,
prioritariamente no ensino de nível médio, observadas as restrições fixadas em
regulamento.
§ 1º Fica autorizada a concessão de bolsa-auxílio aos jovens admitidos no
Projeto Escola de Fábrica no valor de até R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais)
mensais, durante o período do curso, mediante comprovação da renda prevista no
caput deste artigo, conforme dispuser o regulamento.
§ 2º Os portadores de deficiência, assim definidos em lei, terão tratamento
adequado às suas necessidades em todo o Projeto Escola de Fábrica.
Art. 3º Os cursos de formação profissional de que trata o art. 1º desta Lei
deverão se enquadrar em uma das áreas profissionais definidas pela Câmara de
Educação Básica do Conselho Nacional de Educação para a educação profissional,
nos termos dos arts. 7º e 9º da Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961.
§ 1º Os cursos serão orientados por projetos pedagógicos e planos de trabalho
focados na articulação entre as necessidades educativas e produtivas da educação
profissional, definidas a partir da identificação de necessidades locais e
regionais de trabalho, de acordo com a legislação vigente para a educação
profissional.
§ 2º A organização curricular dos cursos conjugará necessariamente atividades
teóricas e práticas em módulos que contemplem a formação profissional inicial e
o apoio à educação básica.
§ 3º As horas-aula de atividades teóricas e práticas de módulos de formação
profissional inicial poderão ser computadas no itinerário formativo pertinente,
nos termos da legislação aplicável à educação profissional, de forma a
incentivar e favorecer a obtenção de diploma de técnico de nível médio.
§ 4º Os cursos serão ministrados em espaços educativos específicos, observando
as seguintes diretrizes:
I - limitação das atividades práticas, dentro da carga horária dos cursos, de
acordo com regulamento;
II - limitação da duração das aulas a 5 (cinco) horas diárias;
III - duração mínima de 6 (seis) e máxima de 12 (doze) meses.
§ 5º Observado o disposto neste artigo, os demais parâmetros de elaboração dos
projetos pedagógicos e dos cursos serão definidos pelo Ministério da Educação,
com preponderância do caráter socioeducacional sobre o caráter profissional,
observado o disposto no § 1º do art. 68 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990
- Estatuto da Criança e do Adolescente, no que couber.
Art. 4º A avaliação dos alunos e a expedição de certificados de formação inicial
serão de responsabilidade das instituições oficiais de educação profissional e
tecnológica ou de unidades gestoras credenciadas perante as autoridades
educacionais competentes.
Art. 5º O Projeto Escola de Fábrica será executado mediante:
I - transferência de recursos financeiros às unidades gestoras selecionadas e
credenciadas pelo Ministério da Educação por meio de convênio;
II - pagamento de bolsas-auxílio.
§ 1º O pagamento das bolsas-auxílio aos jovens poderá ser executado pela Caixa
Econômica Federal, mediante remuneração e condições a serem pactuadas,
obedecidas as formalidades legais.
§ 2º Fica autorizada a suspensão da transferência de recursos financeiros à
unidade gestora que:
I - não cumprir, no todo ou em parte, o plano de trabalho apresentado ao
Ministério da Educação; ou
II - utilizar os recursos recebidos em desacordo com os critérios estabelecidos
para a execução do Projeto Escola de Fábrica, conforme constatado por análise
documental ou auditoria.
§ 3º Os critérios e condições adicionais para concessão, distribuição,
manutenção e cancelamento das bolsas, inclusive quanto à freqüência escolar
mínima a ser exigida do jovem participante do Projeto Escola de Fábrica, bem
como os critérios para a transferência de recursos às unidades gestoras, serão
definidos em regulamento.
Art. 6º Poderá ser unidade gestora qualquer órgão ou entidade da administração
pública direta ou indireta, autárquica ou fundacional, empresa pública ou
sociedade de economia mista, de qualquer esfera de governo, inclusive
instituição oficial de educação profissional e tecnológica, ou entidade privada
sem fins lucrativos, que possua comprovada experiência em gestão de projetos
educacionais ou em gestão de projetos sociais.
Parágrafo único. Os recursos financeiros recebidos pelas unidades gestoras
deverão ser aplicados em despesas consideradas como de manutenção e
desenvolvimento do ensino, de acordo com os arts. 70 e 71 da Lei nº 9.394, de 20
de dezembro de 1996.
Art. 7º Para a fiel execução do Projeto Escola de Fábrica, compete:
I - à unidade gestora: formular o projeto pedagógico e o plano de trabalho para
preparação e instalação dos cursos, elaborar o material didático, pré-selecionar
os estabelecimentos produtivos interessados, prestar contas dos recursos
recebidos ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE e acompanhar o
andamento dos cursos, zelando por seu regular desenvolvimento;
II - ao estabelecimento produtivo: prover infra-estrutura física adequada para a
instalação de espaços educativos específicos, disponibilizar pessoal para atuar
como instrutores, indicar a necessidade de cursos e arcar com as despesas de
implantação dos espaços educativos, transporte, alimentação e uniforme dos
alunos;
III - ao FNDE: efetuar os repasses dos recursos financeiros, analisar as
prestações de contas e apoiar tecnicamente a execução dos planos de trabalho;
IV - ao Ministério da Educação: selecionar e credenciar as unidades gestoras
considerando o projeto pedagógico e o plano de trabalho formulados para os
cursos e os estabelecimentos produtivos pré-selecionados.
§ 1º O responsável legal pelo estabelecimento produtivo vinculado ao Projeto
Escola de Fábrica deve providenciar seguro de vida e seguro contra acidentes
pessoais em favor dos jovens participantes do Projeto.
§ 2º As atividades práticas do Projeto Escola de Fábrica sujeitam-se às normas
de saúde e segurança no trabalho e às restrições do Estatuto da Criança e do
Adolescente, no que couber.
Art. 8º A execução e a gestão do Projeto Escola de Fábrica são de
responsabilidade do Ministério da Educação.
§ 1º À Secretaria Nacional de Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da
República compete a articulação do Projeto Escola de Fábrica com os demais
programas e projetos destinados, em âmbito federal, aos jovens na faixa etária
entre 15 (quinze) e 29 (vinte e nove) anos.
§ 2º Fica assegurada a participação da Secretaria Nacional de Juventude no
controle e acompanhamento do Projeto Escola de Fábrica, observadas as diretrizes
da ação governamental voltadas à promoção de políticas públicas para a juventude
propostas pelo Conselho Nacional de Juventude - CNJ.
Art. 9º A supervisão do Projeto Escola de Fábrica será efetuada:
I - pelo Ministério da Educação e por instituições oficiais de educação
profissional e tecnológica, quanto ao conteúdo, à orientação pedagógica e aos
aspectos administrativos dos cursos;
II - pelo FNDE, quanto aos aspectos operacionais das transferências.
§ 1º O Ministério da Educação designará, por indicação de instituições oficiais
de educação profissional e tecnológica, supervisores pertencentes aos quadros
docentes destas últimas responsáveis pela supervisão e pela inspeção in loco do
Projeto Escola de Fábrica.
§ 2º Os estabelecimentos produtivos vinculados ao Projeto Escola de Fábrica
deverão providenciar cadernos-diários individuais para registro das atividades
realizadas, bem como manter quadro afixado em local visível com a relação
nominal dos participantes, para fins de monitoramento e avaliação do Projeto.
Art. 10. A vinculação de estabelecimento produtivo ao Projeto Escola de Fábrica
não o exime do cumprimento da porcentagem mínima de contratação de aprendizes,
nos termos do art. 429 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo
Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.
Art. 11. Fica autorizada a concessão de bolsa-permanência, no valor de até R$
300,00 (trezentos reais) mensais, exclusivamente para custeio das despesas
educacionais, a estudante beneficiário de bolsa integral do Programa
Universidade para Todos - Prouni, instituído pela Lei nº 11.096, de 13 de
janeiro de 2005, matriculado em curso de turno integral, conforme critérios de
concessão, distribuição, manutenção e cancelamento de bolsas a serem
estabelecidos em regulamento, inclusive quanto ao aproveitamento e à freqüência
mínima a ser exigida do estudante.
Art. 12. Fica instituído, no âmbito do Ministério da Educação, o Programa de
Educação Tutorial - PET, destinado a fomentar grupos de aprendizagem tutorial
mediante a concessão de bolsas de iniciação científica a estudantes de graduação
e bolsas de tutoria a professores tutores de grupos do PET.
§ 1º O tutor de grupo do PET receberá, semestralmente, o valor equivalente a uma
bolsa de iniciação científica por aluno participante, devendo aplicar o valor
integralmente no custeio das atividades do grupo, prestar contas dos gastos
perante o Ministério da Educação e, no caso de aquisição de material didático,
doá-lo à instituição de ensino superior a que se vincula o grupo do PET ao final
de suas atividades.
§ 2º Os objetivos, os critérios de composição e avaliação dos grupos, o processo
seletivo de alunos e tutores, as obrigações de bolsistas e professores tutores e
as condições para manutenção dos grupos e das bolsas serão definidos em
regulamento.
§ 3º O processo seletivo referido no § 2º deste artigo deverá observar, quanto
aos alunos, o potencial para atividade acadêmica, a freqüência e o
aproveitamento escolar, e, quanto aos tutores, a titulação.
§ 4º A instituição de educação superior integrada ao PET deverá dar publicidade
permanente ao processo seletivo, aos beneficiários, aos valores recebidos e à
aplicação dos recursos.
Art. 13. Fica autorizada a concessão de bolsa de tutoria a professores tutores
participantes do PET, em valor equivalente ao praticado na política federal de
concessão de bolsas de doutorado e mestrado no País.
§ 1º A bolsa de tutoria do PET será concedida diretamente a professor
pertencente ao quadro permanente da instituição de ensino superior, contratado
em regime de tempo integral e dedicação exclusiva, que tenha titulação de
doutor.
§ 2º Excepcionalmente, a bolsa de tutoria poderá ser concedida a professor com
titulação de mestre.
Art. 14. Fica autorizada a concessão de bolsa de iniciação científica
diretamente a estudante de graduação em regime de dedicação integral às
atividades do PET, em valor equivalente ao praticado na política federal de
concessão de bolsas de iniciação científica.
Art. 15. As despesas decorrentes desta Lei correrão à conta das dotações
orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação e ao FNDE,
devendo o Poder Executivo compatibilizar a quantidade de beneficiários com as
dotações orçamentárias existentes, observados os limites de movimentação e
empenho e de pagamento da programação orçamentária e financeira.
Parágrafo único. Os valores dos benefícios previstos nesta Lei poderão ser
atualizados mediante ato do Poder Executivo, em periodicidade nunca inferior a
12 (doze) meses.
Art. 16. O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei.
Art. 17. O caput do art. 3º da Lei nº 5.537, de 21 de novembro de 1968, passa a
vigorar acrescido da seguinte alínea:
"Art. 3º ......................................................................
..................................................................................
d) financiar programas de ensino profissional e tecnológico.
........................................................................." (NR)
Art. 18. Os arts. 428 e 433 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada
pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, passam a vigorar com a
seguinte redação:
"Art. 428. Contrato de aprendizagem é o contrato de trabalho especial, ajustado
por escrito e por prazo determinado, em que o empregador se compromete a
assegurar ao maior de 14 (quatorze) e menor de 24 (vinte e quatro) anos inscrito
em programa de aprendizagem formação técnico-profissional metódica, compatível
com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar
com zelo e diligência as tarefas necessárias a essa formação.
...................................................................................
§ 5º A idade máxima prevista no caput deste artigo não se aplica a aprendizes
portadores de deficiência.
§ 6º Para os fins do contrato de aprendizagem, a comprovação da escolaridade de
aprendiz portador de deficiência mental deve considerar, sobretudo, as
habilidades e competências relacionadas com a profissionalização." (NR)
"Art. 433. O contrato de aprendizagem extinguir-se-á no seu termo ou quando o
aprendiz completar 24 (vinte e quatro) anos, ressalvada a hipótese prevista no §
5º do art. 428 desta Consolidação, ou ainda antecipadamente nas seguintes
hipóteses:
......................................................................" (NR)
Art. 19. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 23 de setembro de 2005; 184º da Independência e 117º da República.
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