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O MEU "VALOR" É DO TAMANHO DA MINHA DEDICAÇÃO

Sergio Ferreira Pantaleão

Ainda que eu não queira ou que eu pense que não estão reconhecendo o meu valor pelo que faço, na verdade o valor a mim atribuído deve ser proporcionalmente ao da minha dedicação.

Ora, poderiam retrucar, "isso se você estivesse falando de uma empresa séria, com parâmetros claros de reconhecimento, com imparcialidades na tomada de decisões, bem como de gestores que reconhecessem em suas equipes o esforço de cada colaborador".

Atribuir a falta de reconhecimento à política da empresa ou a um Gerente ou Supervisor pode não ser a melhor justificativa para ficar estagnado. Para atribuir um valor ao que faço é necessário, antecipadamente, mensurar aquilo que faço e para quem eu faço, neste caso, a empresa.

Se a dedicação à empresa está próximo ou igual ao que considero ser o que apenas atende às expectativas, então não posso simplesmente reprovar o valor que a empresa atribui ao meu desempenho.

Parece complexo, mas é questão de bom senso. Dizer que é explorado pela empresa, mas continuar na "mesmice" é um jogo perigoso para a saúde e para a realização profissional.

Não podemos ficar inertes mesmo que a situação pareça confortável, com uma remuneração dentro dos padrões de mercado, com um cargo que não ofereça ameaças e em uma empresa que está longe de sofrer uma crise econômica.

Hodiernamente seria loucura pensar desta forma, principalmente na atual conjuntura econômica de crise que vive o país e o mundo, onde milhões estão buscando justamente o conforto de um emprego ou de um cargo público, seja por questão salarial, hierárquica ou de estabilidade.

Mas a questão é que muitas vezes nos acomodamos e apenas "representamos" um papel na empresa que, na realidade, não é o que gostaríamos de estar fazendo.

Se isso é fato, ainda que a empresa traga um "suposto" conforto financeiro, sair em busca de algo que possa lhe trazer desafios e ser reconhecido por isso, pode valer mais a pena e trazer mais satisfação profissional do que permanecer como está.

Se o meu desempenho está além do que o cargo que ocupo exige ou se está abaixo do que deveria ser e por razões diversas não recebo nenhum aumento, são questões que cabem a cada um identificar e agir para que tal situação não se prolongue.

É preciso ser honesto consigo mesmo para responder tais questões e, se necessário, buscar ajuda de outro profissional (dentro ou fora da empresa) de modo a entender realmente o que está acontecendo.

Se a conclusão é de que preciso melhorar, é minha a responsabilidade de enfrentar os problemas apontados e buscar desenvolver novas habilidades e atitudes, encaminhando-se para um crescimento profissional na organização.

Por outro lado, se a conclusão é de que meu potencial não está sendo bem aproveitado no cargo atual, cabe a cada um fazer-se oportunizar dentro da organização ou, caso não vislumbre esta possibilidade, se preparar e buscar oportunidades externas.

O mercado parece saturado com inúmeras pessoas desempregadas dispostas a ocupar sua vaga pela metade do que você ganha, mas isso não é motivo para preocupação.

Melhor mesmo é promover a auto capacitação e desenvolver seu trabalho de forma a "mudar o macaco de ombro", atribuindo esta preocupação para a empresa, onde ela faça de tudo para mantê-lo no quadro e se preciso, promovê-lo para satisfazer sua ascensão profissional, sob pena de perdê-lo para o concorrente.

Não se deve buscar a sorte onde o que se exige são dedicação e competência. Cada qual se desenvolve na medida da sua vontade em querer crescer e se promover profissionalmente.

Enquanto muitos, que se acham sem sorte, estão em praias, baladas ou botecos criticando chefes e colegas de trabalho outros, chamados "afortunados", se abstêm de seu lazer para fazer cursos em finais de semana, pesquisando e desenvolvendo novas ferramentas e técnicas de trabalho, lendo livros que aprimoram seus conhecimentos e habilidades ou participando de cursos técnicos ou de especialização.

Passar 4 ou 5 anos frequentando os mais diversos tipos de diversões à noite e nos finais de semana com os amigos é muito fácil, mas passar o mesmo período para terminar uma faculdade, uma pós-graduação ou um curso de especialização parece impossível.

Não se pode generalizar as coisas a ponto de dizer que todos possuem condições para tanto, mas há uma grande parte que já se entregaram à idade, à condição de casado, a uma enfermidade na família, à condição financeira, enfim, a diversas desculpas as quais os deixaram "cegos" frente às oportunidades que pessoas exatamente iguais (financeira, social, familiar e etc.), enfrentaram e conseguiram alcançar.

Não se está buscando aqui uma aversão ao lazer ou ao conforto familiar, mas apontando apenas alguns "sacrifícios" que, feitos periodicamente, podem desencadear uma constante ascensão na carreira profissional e por conta disso, proporcionar maior conforto à família e realização de sonhos - pessoais ou profissionais - que pareciam inatingíveis.

Sua situação atual pode não ser a que você deseja, mas não se deixe entregar, use-a como motivação para reverter este quadro e se aprimorar, se desenvolver para criar suas oportunidades e obter a profissão e o desempenho que você realmente almeja, de modo que o valor a eles atribuído seja apenas uma consequência de sua própria dedicação.

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Sergio Ferreira Pantaleão é Advogado, Administrador, responsável técnico pelo Guia Trabalhista e autor de obras na área trabalhista e Previdenciária.

Atualizado em 11/02/2014


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