NOS TEMPOS DO IPAD MEU CHEFE INSISTE EM DIZER "NÃO PODE"!
Sergio Ferreira Pantaleão
Inevitavelmente estamos em uma era que a tecnologia tomou conta de tudo e quase tudo agora é virtual, o banco, os amigos, as lojas, os treinamentos, as reuniões e até o dinheiro é virtual, pois recebemos o salário da empresa diretamente em conta corrente, pagamos nossas contas pela internet ou via cartão de crédito/débito e sequer tocamos no dinheiro.
Em que pese possa haver uma discordância com essa virtualização generalizada, alguns profissionais vivem um paradigma em relação a esta realidade quando da realização de suas tarefas. Sabem que existe o IPAD, mas o atraso tecnológico do sistema que utiliza é gritante e quando tenta reivindicar um novo sistema ou a melhoria do existente, o chefe insiste em dizer "não pode".
Determinados trabalhos poderiam ser facilitados e acelerados com a informatização e o curioso é que o custo benefício em relação ao investimento do sistema que está em funcionamento, não foi recíproco.
Digo, pela experiência na área de RH, que sistemas de treinamento e desenvolvimento, cargos e salários, folha de pagamento, benefícios entre outros, são adquiridos por organizações por altos custos, mas na prática, fazem 50% ou 70% do que deveriam fazer. Muitas tarefas ou relatórios que deveriam ser originados do software adquirido são desenvolvidos paralelamente em Excel, Word ou PowerPoint ou outro sistema da empresa.
São inúmeras desculpas que tentam justificar tais situações como um módulo que não se comunica com o outro ou a base do sistema anterior que era diferente do sistema atual.
Por certo há situações que podem ser fonte de uma má implantação, pois as parametrizações que poderiam garantir a eficácia do sistema não foram corretamente realizadas e as emendas na programação foram tantas que é melhor "apagar" tudo e implantar tudo novamente, o famoso "começar do zero".
"O cálculo do salário e das horas extras o sistema faz, mas o controle e desconto do vale transporte tenho que calcular no Excel e lançar separadamente. A pensão alimentícia também precisa ser calculada à parte quando do pagamento das férias ou os relatórios de horas homens trabalhadas e absenteísmo não retratam a realidade das informações alimentadas no sistema."
Essas e outras inúmeras imperfeições são cogitadas diuturnamente por profissionais que se veem "amarrados", gastando preciosas horas em trabalhos medíocres. Porque utilizar tantos relatórios paralelos ou controlar processos que deveriam funcionar automaticamente?
O problema é que se gasta tanto tempo realizando tarefas burocráticas que os principais objetivos do departamento, visando alcançar as metas da empresa, e por consequência deveriam ser priorizados, acabam sendo postergados para "quando tivermos tempo".
Controvérsias à parte, hoje até o judiciário, que era fonte de lembrança de pilhas de papel, de processos amarelados e empoeirados, aderiu à era da informatização, onde os técnicos, juízes e advogados, enfim, operadores do direito, realizam diligências, despachos, sentenças, protocolos, e tudo mais de forma virtual, agilizando o andamento do processo e consequentemente a resposta da justiça para quem mais necessita, o cidadão.
É preciso um esforço maior de quem está no comando, não da empresa, mas do departamento ou do setor. Se há um sistema é necessário adequá-lo às necessidades o que, muitas vezes, não necessita de nenhum investimento monetário, mas humano, por meio de auditoria nas parametrizações e na sua funcionalidade lógica. Se os parâmetros estão corretos e não há lógica no resultado, há que se reavaliar a estrutura do sistema.
Não fique culpando a companhia ou seu chefe. Se ele só lhe retorna que "isso envolve custo, não há orçamento para isso, o sistema foi implantado assim" e etc., aja proativamente convocando os principais envolvidos, gaste um tempo para "arrumar a casa" e exija as correções necessárias.
Se houve pagamento pela informatização, cobre dos fornecedores do software a exatidão nas informações. Eles são os responsáveis pela lógica na estrutura. Assim como qualquer pessoa tem o direito de reclamar pela compra de um produto que não funciona corretamente a empresa, como consumidor que é, também deve fazer valer o seu investimento.
Com isso você poderá se concentrar em atividades que realmente agregam valor para você, sua equipe e para a organização. O IPAD ainda está em suas mãos, você só precisa conectá-lo à internet e digitar o endereço para onde que ir.
Sergio Ferreira Pantaleão é Advogado, Administrador, responsável técnico pelo Guia Trabalhista e autor de obras na área trabalhista e previdenciária.
Atualizado em 21/01/2013
